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Solidão e menos-valia

Como o filme "Amores Materialistas" nos representa

73 20/01/2026 Elaine Oshiro

O filme "Amores Materialistas" fala de escolhas amorosas e, no fundo, revela uma dor muito mais profunda : o medo da rejeição disfarçada de critério. 

1. O Medo por trás da fachada

O "materialismo" e a obsessão pelo luxo retratados no filme apresentam a condição financeira como critério decisivo na escolha das personagens por um parceiro romântico. Porém, no decorrer do filme, percebemos que esse processo vai muito além da conta bancária: é também emocional. É quando as personagens criam uma lista de exigências e pré-requisitos para o outro por medo de agir como realmente são.

Medo de se abrir

Medo de ser rejeitado 

Medo de ser visto de verdade

Debaixo da busca por um "par ideal", existe algo mais profundo na vida de cada um: a dor da solidão, a sensação de não ser o suficiente, a tentativa de se definir por aquilo que se tem, pelas conquistas materiais - e não por quem se é.

A solidão não escolhe condições financeiras, ela se instala onde falta um sentido, e não um status social. E quanto mais desconectados de nós mesmos, mais buscamos do lado de fora o que falta dentro. 

2. A lista que protege (e isola)

Aquela lista interminável de pré-requisitos e características indispensáveis que criamos na escolha de um parceiro romântico talvez não seja só uma exigência. Talvez seja medo. Porque se ninguém for "bom o suficiente" para nós, não corremos o risco da rejeição. 

O ideal muitas vezes é um disfarce, um padrão inalcançável que usamos para nos esconder da vulnerabilidade. Mas o que realmente nos transforma não é o perfeito, é o verdadeiro. E se o parceiro ideal for justamente aquele que me revela minhas fraquezas? Aquele que me obriga a crescer, a amadurecer, a parar de fugir de mim? Talvez o amor não venha para completar, mas para revelar.  

O ato de amar é trabalhoso quando amar também significa arriscar. Amar é permitir que o outro veja - de verdade - quem nós somos, com nossas dúvidas, defeitos, inseguranças. E, ainda assim, escolher ficar. Escolher construir um relacionamento. 

Quando a gente não se conhece, projeta.
Quando não se ama, exige.
Quando tem medo, idealiza.
Talvez a pessoa ideal não seja quem te completa, mas quem revela a sua verdade.

E se hoje você abrisse mão do seu ideal de perfeição, começando por você?